segunda-feira, 30 de abril de 2018

O menino e a nuvem

E me desespero quando te tornas tempestade. Corro atrás de baldes e potes pra conter as gotas que não cessam em cair. Praguejo algumas coisas em sua direção esperando o temporal cessar. Nada acontece. A sua chuva cai incontrolável e meu peito aperta enquanto vê você se desfazer em água.
A verdade é que nunca aprendi a dançar na chuva e a aproveitar os momentos de tempestade. Mas peço te para não cessar. É sempre bom ver seu cinza partindo enquanto suas pequenas partículas se contorcem em um branco finito. E por mais que soe egoísta, a sua silhueta circulada em gomas arredondadas me trás paz e calma junto com a sombra da sua imensidão.
Mas também creia que se algum dia, os praguejos de minha língua te soprarem pra longe de mim, o mundo não irá se acabar. Peço te então que não se desespere, apenas espere o momento em que outro menino sorrindo olhe pro céu procurando uma nuvem pra se proteger. Acontece que as vezes a nuvem e o menino não não conseguem lidar com a altura que os separa. Isso não o fim de tudo, é apenas a vida ensinando a nuvem a regar, é apenas o destino mostrando ao menino que é preciso caminhar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário