terça-feira, 1 de maio de 2018

Floreie

Verte, serte
mas sem os traços que já tive

Cres-cer, parti-lharte
com os traços que já ganhei

Entregar me a mim mesmo e viver de fato

Companheira

Perco-me em devaneios
Adentro-me em seu mundo
Sonho-me em seus cheiros
Penso-me em ti desnudo

Derreto-me por sua falta
Calo-me quando gritas
Choro-me em sua sala
Guio-me por essas pistas

Peço-te que não me mates
Permita-me sair de ti
Se morrer que alguém me ache
E saiba que tu, fome, me matou aqui.

O ir

O que é, o que é

Me envolvo e devoro
Te amo e te imploro
Tem toques sonoros
Mas não tem cor

Sorri e fascina
Estremece e cativa
Fresco como brisa
Um suave pesar

Faz promessas e cumpre
Longo beijo que une
Me enlaça e assume
Me vê padecer

É só tua falta
Que ri e me manda
De tanto gritar por você
...

segunda-feira, 30 de abril de 2018

eu temporal

Carrego em mim tempestades só pra ter a certeza de que você não partirá do meu porto.

Linha do pensamento

As linhas da minha mente sempre se embolam formando alguma conspiração. O que me salva disso é a disposição que tenho de abrir mão das linhas mais fortes e construir tudo de novo.

Erótico 2

Era como se o mundo tivesse parado
E de repente eu não respirava mais
Meu corpo gelou por segundos
Meus olhos desligaram num estalo
Aquela foi a melhor gozada.

Erótico 3

Entre corpos nus e sedentos
Foi o seu suor que me tocou
De como deslizei a dentro
Até a forma que me gozou
Úmida e quente, me disse
Foi bom, quem sabe outra vez
Me deixando amolecido, triste
Colecionando uns porquês

Nunca achei que fosse possível achar o amor da minha vida em uma casa de swing.

O menino e a nuvem

E me desespero quando te tornas tempestade. Corro atrás de baldes e potes pra conter as gotas que não cessam em cair. Praguejo algumas coisas em sua direção esperando o temporal cessar. Nada acontece. A sua chuva cai incontrolável e meu peito aperta enquanto vê você se desfazer em água.
A verdade é que nunca aprendi a dançar na chuva e a aproveitar os momentos de tempestade. Mas peço te para não cessar. É sempre bom ver seu cinza partindo enquanto suas pequenas partículas se contorcem em um branco finito. E por mais que soe egoísta, a sua silhueta circulada em gomas arredondadas me trás paz e calma junto com a sombra da sua imensidão.
Mas também creia que se algum dia, os praguejos de minha língua te soprarem pra longe de mim, o mundo não irá se acabar. Peço te então que não se desespere, apenas espere o momento em que outro menino sorrindo olhe pro céu procurando uma nuvem pra se proteger. Acontece que as vezes a nuvem e o menino não não conseguem lidar com a altura que os separa. Isso não o fim de tudo, é apenas a vida ensinando a nuvem a regar, é apenas o destino mostrando ao menino que é preciso caminhar.

domingo, 29 de abril de 2018

Erótico 1

Braços esguios
E olhos cansados
Barriga saliente
E seios depressivos

Ainda descubro porquê o errugar da sua pele me excita .

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Não é mais

E de repente a gente cresce, e pelo que me parece,
o mundo mudou.
Num instante virei gente, que aparentemente,
se encontrou.
E no que parecia ser estável encontrou a instabilidade de ser.
Ao que me parece sonhara um dia com a alegria de ser eternamente chão,
estável, imóvel e sólido.
Mas o que não lembrava é que até o chão, que tanto pisava, sobe e desce num frenesi.
Hoje se olha no espelho e me vê com tanto medo de não ser mais si mesmo.
Deveria saber que na verdade toda instabilidade tem início meio e fim,
mas só asseguro que a viva,
pois essas três fases da vida podem não acontecer.
pelo que me parece, na verdade, a infelicidade está no verbo ser.
Ser apenas um menino que não sabe nem que sapato escolher,
ser apenas um cariño, que depois de algum tempo, viu seu primeiro fio de bigode crescer.
Só pra constatar que a verdade é que a infelicidade está no medo de amar.
Amar a instabilidade da sabedoria, que muda a cada dia, antes do dia acabar.
É que na verdade eu não sei como chegar ao fim.
Comecei crescendo lento, sigo agora com o vento nesse instável mundo sem fim.

sábado, 3 de maio de 2014

Você não sabe

Você não tem noção de como o tempo passa, o vento sopra e você nota que cresceu.
De como pássaros voam e de repente você percebe que um ente querido morreu.
De como os amores vão e vem e você nota que a vida é feita de amor e decepções também.
De como você muda em um ano e de quanto seu cabelo cresce em um mês.
De como sua mãe se preocupa com todos e você esquece de alimentar o peixe.
De como a vida era boa e agora o "normal" pra ti não basta.
De como foi bom um dia me conhecer e agora que não nos vemos você não sabe me esquecer.
De como é difícil admitir que você estava certo e que agora só resta seguir em frente.
De como apesar de tudo a vida é assim, de amores, dores, alegrias e tristeza uma hora a gente chega no fim.

sábado, 5 de abril de 2014

Deveria ser

ser o que se deve ser ser,
ser o que se queria ser,
não ser pois se for não poderá mudar,
ser porque ser é amar ser
ser o que se ama,
ser por apenas existir e querer ser.
ser e amar ser.
ser e saber que és o que queres ser,
não ser pois limites do seu ser incomodam outro que também que ser,
não ser porque o que és incomoda quem conhecia o que eras.
ser porque amas ser ,
ser porque já foi o eras,
ser pois és livres para deixar de ser,
ser porque a confusão no seu ser é ser.
ser apenas por nascer,
ser porque és o que é,
ser por não saber,
ser por ser feliz, ser por apenas sorrir.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Pedro: morre mais um revolucionário

Pedro era um menino muito hiperativo. Pedro adorava correr, se esconder, gritar, sorrir, implicar. Pedro sabia como realmente viver, apesar da pouca idade. Todos sempre diziam que Pedro era inquieto demais, mas ele nunca ligou, desde cedo aprendera com seu pai que a liberdade é rara e a infância não durava pra sempre. Pedro sempre foi taxado como esquisito por sua inquietação, pois ela não afetava apenas o corpo, mas também a mente. Sua professora sempre dizia que ele perguntava de mais e que isso era feio! Sua mãe ja estava acostumada com suas perguntas, mas com o passar dos anos elas ficaram mais complexas e Pedro, por experiência própria, percebeu que os adultos se irritavam não por que eram muitas perguntas, mas porque eles não sabiam responder. Pedro resolveu criar um caderno de questões, dizia que um dia iria escrever um livro com todas as respostas, porque segundo ele eram "coisas que todos precisavam saber".
E assim surgiram as primeiras: Porque o céu é visível mas intocável? Como se aprende uma nova língua se todas as línguas são velhas? Como fizeram a primeira tradução se não se sabia nada da outra língua? Como as pessoas conseguem dizer que amam seus deuses que não vêem, mas não amam aqueles que visivelmente necessitam de amor? Porque todos têm medo de mendigos quando na verdade deviam ter compaixão? Porque os rios correm? Um árvore morre de velhice ou só por maus tratos? Se é opção sexual porque muitos dizem que não escolheram o que sentem? Porque tanto medo da morte se ninguém sabe o que vem depois?
As perguntas de Pedro eram infinitamente grandes, sua criatividade e curiosidade não tinham limites. Um dia elas chegaram ao fim. Pedro nunca recebeu apoio pra perguntar, sempre o mandaram parar, sempre quiseram que ele não as fizesse e esse dia chegou. Pedro cresceu. Hoje Pedro tem 25 anos e vive como técnico em informática. Toda sua expectativa de mundo, toda sua visão lhe foram tirada ao longo dos anos. Pedro nunca entendeu, mas sempre o matavam a cada dia que passava, sempre lhe afogavam na mesmice a cada segundo.Pedro só vive tentando ser feliz com seu medo de morrer. O caderno de Pedro foi pro lixo junto com toda sua inquietação. Morre mais um revolucionário!

terça-feira, 30 de abril de 2013

um trenzinho, uma choupana

Fazia frio, eu estava quase congelando, meu lábios já estavam roxos e meu queixo não parava de bater. Era inverno, a baixa temperatura era justificável, mas a olho nu minha atitude não parecia plausível: nadar em um lago congelado quando se está num inverno com média de -15°C. Mas eu precisava fazer aquilo, era minha última chance, tinha que recuperar meu trenzinho!
Eu não sou maluco, deixe-me lhe explicar. Eu tinha um trenzinho e uma dia ele caiu no lago, pensei em depois pegar, mas o tempo foi mais rápido que eu. Antes que a sístole virasse diástole o lago congelou. Eu corri, chorei, gritei, mas não adiantou, meu trenzinho foi se embora. De repente senti meu mundo girar e meu coração parar, estava preso num frio mortal, o jeito era aproveitar a choupana velha e me abrigar antes que fosse apresentado a morte.
Vivi lá por muitos anos, sonhei com o dia em que meu trenzinho voltasse pros meus braços. Era tarde, o cruel calor já me envolvia fortemente, precisaria mais do que simples vontade pra sair. Aos poucos, sem perceber, o calor que a choupana produzia, me envolvia mais que o de costume. Eu já não era mais eu mesmo, mas a coisa que a choupana criara em mim.
 Tudo seguia no mais perfeita hipinose  até que um dia eu me queimei, me queimei de verdade. O calor da choupana já me ferira outras vezes, mas dessa vez a queimadura foi maior, eu senti o estalo das correntes, eu senti que a liberdade estava próxima!
Corri com todas as minhas forças. A choupana me gritava, dizia que eu não conseguiria viver sem ela, mas eu precisava mostrar pra mim mesmo que o trenzinho era valioso demais pra deixar o tempo congela-lo. Me abriguei na mata e me alimentei de insetos presos a relva congelada. Caminhei sem destino até que cheguei a boca do lago. Não tinha plena certeza, com tanto frio já havia perdido todos os sentidos, mas algo me chamava naquele momento e eu sentia que era o trenzinho. Ele nunca me esquecera, sempre esteve a minha espera porque sabia que no fim das contas eu voltaria pra busca-lo, ele estava mais que certo!
Ante ao lago, o que tenho em mente é apenas pular, só estou a espera de que a última lacraia congelada que comi vire energia em meu corpo, para que possa resistir ao gelo cortante. Saltei, com os olhos abertos, eu o via me chamar ao fundo, eu sentia que o coração do trenzinho pulsava mais rápido ao me ver chegar. Mas não posso negar que também sentia que meus pulmões já quase paravam, que meu cérebro estava a gritar por clemência e o que me mantinha vivo naquele momento era a alegria em meu coração.
Encarei a dureza do gelo e fui mais fundo. Sentia que minhas pernas não me obedeciam mais e que meus braços quase já estavam a beira do fim, mais um pouco de esforço e eu alcançaria o meu amado trenzinho. Fui. O toquei e senti como se o tempo parasse, como se naquele momento nada mais existisse, vi meus olhos brilharem de alegria e senti que naquele momento já não estava mais em mim, que agora a choupana não mais me amedrontava e que o trenzinho era parte do que eu me tornara.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Asas para Marte

Ainda não entendi qual a razão pra tanta confusão! Eu não fiz nada a não ser voar! Daqui de cima eu só vejo discórdia e umas estranhas pessoas a chorar! Vejo que ao redor do meu corpo eles fazem uma espécia de ritual de aceitação: uns dançam com ódio e outros desfalecem, como se tudo tivesse perdido a razão! Mas parando pra pensar, até que tudo é meio engraçado: Ver o vizinho que me odiava chorar, a amiga da minha mãe que sempre me confundia tristinha e meu meio irmão inconsolado. Mas eu ainda me pergunto, que mal eu fiz?!
Minha vida não tinha nada, era só casa, trabalho e faculdade, morava com meus pais por insistência deles, apesar de eu já ter a maior idade. Outrora, nunca me derem um pingo de atenção, só sabiam me cobrar e perguntar quando iria tomar jeito! Jeito, mas onde eu comprava esse troço pra beber?! Nunca me responderam, só insistiam em dizer: menino, menino, ta crescendo e perdendo o respeito!
O que eu mais gostava daquilo tudo era poder ler Rookmaaker, o cara era um gênio, apesar de ter uma filosofia de vida bem antagônica a minha! Mas ora vejas, já ia me esquecendo de agradecer ao mais celebre, aquele que me fez muitas vezes ter ânimo pra levantar do sofá, meu caro amigo Tim Maia. Algumas muitas vezes me fezcair de amor, mas foi o azul da cor do mar que me fez cair das nuvens e pousar como chumbo no chão. Tim me lembrou qual era o proposito do meu nascimento!
Pois bem, abri as asas e voei, fui de encontro a imensidão, fechei os olhos e flertei com a solidão. Quando os reabri novamente, só via o corre corre ao som de um leve burburinho que suava como 'ele se matou' e ' coitado, morreu tão novinho'. Eu na verdade só quero entender, que mal tem em voar, se tenho asas na cabeça tenho direito de, no céu, bailar...
Só quero saber onde compro um lindo e gelado mate, porque agora que ja voei, estou pronto pra partir rumo a marte!